Um dia no
Brasil, nossos antepassados foram assim: corajosos, sonhadores e unidos. Por
isso, eram fortes; venceram difíceis obstáculos e construíram grandes obras. Infelizmente os tempos mudaram nossas mentes. No Japão, entre nós brasileiros a
desunião é grande e o sonho ficou pequeno.
Nossos
antepassados receberam notícias que existia uma terra onde ¨os frutos das
árvores eram ouro¨. A conquista da riqueza era certa. As famílias se reuniram e
tomaram a grande decisão de aventurarem-se em terras nunca antes conhecidas.
Acreditaram no sonho de que trabalhando apenas alguns anos, conseguiriam voltar
prósperos para sua terra natal, país do sol nascente.
Quando
chegaram no Brasil, tudo aquilo que ouviram não passava de ilusão, uma
falsa propaganda. Desiludidos, sofreram também ao choque cultural, a língua,
os costumes, a comida, o lugar, as casas, o trabalho, tudo era muito estranho. Sem opções, foram parar nas fazendas de café. Mas estavam juntos entre muitos outros japoneses.
Trabalharam
duro, economizaram bastante, com isso puderam adquirir terras. Derrubaram
florestas, construíram casas e fizeram suas plantações. Desenvolveram a
produção de alimentos no Brasil. Mas realizaram tudo isso juntos, entre muitos
japoneses
.
Perceberam
que deviam educar seus próprios filhos, não havia escolas nas áreas rurais. Construíram escolas, trouxeram professores, e conseguiram preservar a cultura mãe.
Com o
tempo. formaram-se cooperativas e adquiriram riqueza. Construíram associações
culturais, templos e hospitais. Mais uma vez, a união fez toda a diferença.
Veio a
Segunda Grande Guerra Mundial. Japão declarou-se inimigo dos Estados Unidos
sendo assim, tornou-se também inimigo do Brasil. Mais uma vez, a comunidade
japonesa sofreu. Proibiram de se encontrarem, escolas foram fechadas, não podiam
falar a sua língua pátria, foram humilhados e alguns presos. Suas casas foram
invadidas, sua colheita revirada e suas armas confiscadas.
O tempo foi
passando, muitos filhos já nascidos no Brasil, resolveram largar as terras dos
seus pais, sonhavam com um futuro diferente, foram para as cidades, abriram bazares, boutiques, papelarias, farmácias, quitandas, lanchonetes, relojoarias, casas de fotos, tinturarias, barracas de
pasteis, barracas de feira, etc. Mas nunca esqueceram suas raízes, seus filhos
também manteriam a sua cultura.
Os netos
destes japoneses, muitos já não entendiam a língua dos seus avós, estavam
bem familiarizados com o novo idioma. Especializaram-se entrando nas faculdades
ou cursos técnicos.
Mas a
situação econômica estava cada vez pior no Brasil, a vida não era fácil. Ao mesmo tempo, o
Japão estava sofrendo da falta de mão de obra.
Então uma nova onda, desta vez inversa, se formou, os filhos, netos e até bisnetos estavam rumando
em direção ao sol nascente. Estavam retornando as suas origens, mais uma vez
com aquele sonho de reconquistar a prosperidade.
Mas alguma
coisa mudou, a língua que sempre ouviram dos avós e pais não era mais a mesma. A cultura
também tornara-se estranho. Muito do que aprendêramos não se usava mais. A verdade é que não éramos mais japoneses. As feições eram idênticas, mas as
vestes, os gestos, os comportamentos nos denunciavam. Aprendemos as duras penas
que o sangue que circula em nossas veias podem ser iguais, mas os corações serem
diferentes.
Não éramos
mais aquele povo unido que enfrentou enormes barreiras e construíram grandes
sonhos. O individualismo, a indiferença nos venceram. Os sonhos se tornaram
pequenos, quase uma leve penumbra. Agora somos a geração sem pátria, somos
brasileiros no Japão, japoneses no Brasil. Estamos cada vez mais disciplinados,
produtivos, empenhados no trabalho do que nunca, mas cada vez menos risonhos,
alegres e mais solitários e doentes. Somos a geração dos estrangeiros apáticos,
cansados, sem energia e pouca vibração. Viva Japão! Banzai Brasil!
"O maior valor da vida não é o que você conquista, mas o que você se torna ao longo das suas conquistas."
autor desconhecido
"Você nunca sabe a força que tem...
Até que a sua única alternativa é ser forte."
Johnny Depp
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